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 Quinta-feira, 29 de julho de 2010



Village People   (arquivo de 20/10/2002 )

O CONTEÚDO DESTE PENSAMENTO NÃO É DOS MAIS POLITICAMENTE CORRETOS. SE VOCÊ É HOMOSSEXUAL, PENSE DUAS VEZES ANTES DE SEGUIR EM FRENTE, POIS SERÃO ABORDADOS TEMAS COMO VILLAGE PEOPLE, LINGÜIÇA E PATINS. CASO QUEIRA ME PROCESSAR, FALE COM O MEU ADVOGADO, O LUBA!

Era sexta-feira à noite e, pra variar, o pessoal havia marcado um churrasco. O dono da casa morava na zona sul e fui pela Marginal Pinheiros (aquela mesma do cocô). Como eu ainda precisava comprar quitutes e cerveja, passei no Supermercado Extra (antigo Paes Mendonça).

Eu estava com um pouco de pressa e fui direto ao assunto. Sem olhar muito para os lados, fui na última seção e já sapequei uma caixinha de cerveja. Continuei em frente, entrei à direita e, sem titubear, catei uma bandeja de lingüiça. Pronto! Já havia pego a minha parte, agora era só pagar e curtir a festa. Mas, por uma dessas infelicidades do destino, fiz a besteira de dar uma passadinha na seção de CD’s. Pra quê!

Eu não estava afim de comprar, só queria dar uma olhada e ir embora. Foi o que eu estava fazendo até chegar na última gôndola, quando vi aquelas tradicionais promoções de encalhes a R$ 6,90. Como eu já havia conseguido comprar um incrível CD do Dave Brubeck nessas promoções, na FNAC, achei que deveria dar uma olhada. “Hits do Verão vol. 3”, “Pagode e Axé Brasil vol. 7”, “Top DOUZE da Carla Perez”, entre outros. Esses eram os títulos. Desisti! Mas, lá no fundo, vi cinco bichinhas sorrindo pra mim na capa de um CD: um era marinheiro, outro eletricista, tinha também um policial, um com roupa de couro e um índio (nesse exato momento, vocês pensamenters, estão ouvindo a introdução de YMCA, “pam, pam pam”). Sim! Era uma coletânea com os maiores sucessos da banda mais gay do planeta: Village People!

“Young man, theres no need to feel down / I said, young man, pick yourself off the ground / I said, young man, cause youre in a new town / Theres no need to be unhappy… / Its fun to stay at the Y-M-C-A / Its fun to stay at the Y-M-C-A…”

Apesar do conteúdo absoluta e assumidamente homossexual, o CD do Village People é extremamente engraçado. Principalmente para tocar às 3 da manhã em festinhas hetero (leia-se com meninos e meninas). Com esse intuito, discretamente, peguei o CD e segui para o caixa, tomando o maior cuidado para ninguém me ver cometendo aquele “homocídio”.

Mandei bem! Ninguém me viu, tinha pouca gente nos caixas e a sensação era de triunfo. Fui naqueles caixas rápidos e só tinha uma pessoa na minha frente. De repente, a sorte começou a mudar. O que era pra ser motivo de alegria, se transformou em angústia. Uma bela loira se aproximou da fila e ficou atrás de mim. Eu olhei pra ela, ela pra mim, deixamos nos envolver por aquela atmosfera de sexta à noite, mas logo fiquei esperto. Com muito cuidado, coloquei o CD entre a caixa de cerveja e a bandeja de lingüiça que, muito matreiramente, deixei em pé fazendo uma espécie de paredão. Ela nem desconfiou e novamente olhei para a loira e dei uma simpática risadinha, do tipo: “hei, gata, hoje é sexta, tenho cerveja e lingüiça, o que estamos fazendo aqui?”. Mas na hora a esteira andou e chegou a minha vez de passar as compras.

Coloquei o meu corpo à frente pra ela não ver nada, e passei, com muito cuidado, os meus produtos. Tudo ia bem. Foi a cerveja, a lingüiça e o CD. Só que, ao invés de registrar o preço promocional, o leitor do código de barras registrou R$ 18,90. Dancei! Eu não ia pagar R$ 18,90 naquele CD. Nunca! Avisei a mulher do caixa que o preço estava errado. Porém, pergunto a vocês: o que eles fazem quando isso acontece? Exatamente! Com o CD das cinco bichas em punho, ela ergueu o braço, ligou aquela luz que parece sirene de ambulância e acenou para aqueles funcionários que ficam andando de patins. Pronto! Ela conseguiu chamar a atenção do supermercado inteiro. A loira me olhou com cara de: “eu achando que ele estava flertando e ele só tentando descobrir o que eu passo no meu cabelo.” Foi o fim! Mas os problemas só estavam começando.

Expliquei o mal entendido para a supervisora do patins. Ela, muito compreensiva, me perguntou o preço da promoção. Eu não sabia e a moça, sem o menor pudor, gritou para outro rapaz de patins que estava ali perto: “Émerson, vê pra mim quanto custa esse CD do Village People que está em promoção.” Muito sacana, ele olhou pra mim e respondeu ainda mais alto: “Village People? Pode deixar!” Conseguiram! Até a minha mãe que mora perto de uma aldeia indígena no Mato Grosso estava sabendo que numa sexta-feira à noite eu estava comprando uma caixa de cerveja, uma bandeja de lingüiça e um CD do Village People. Era o próprio kit “Mamãe Quero Ser Gay”.

A essa altura tudo o que eu queria era usar o meu poder de ficar invisível ou de voar, mas lembrei que ainda não tinha. Assim, aguardei a chegada do Émerson, que confirmou o preço promocional. Mais aliviado, achei que o pesadelo havia terminado. Mas não! Para alterar o preço no caixa, eu precisava fazer uma espécie de “boletim de ocorrência” no SAC do Extra. E lá fui eu relatar o ocorrido.

Moral da história: hoje, se alguém for ao Extra e levantar a minha ficha no SAC, verá que no item Descrição do Problema está escrito com todas as letras: “Problemas com o CD do Village People”. Isso mesmo! Que grande orgulho! Sou fichado no Extra com problemas com o CD do Village People. Isso que é Orgulho Gay!

Pablo “Macho Macho Man” Nacer




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